Deputados do PT apresentaram, na terça-feira (24), um pedido ao Congresso exigindo o afastamento imediato do senador Carlos Viana (Podemos-MG) da presidência da CPMI do INSS por falta de imparcialidade. Segundo os parlamentares, Viana perdeu a isenção para comandar a comissão, pois possui conflito de interesses e relações próximas com pessoas e entidades que estão sendo investigadas pelo próprio grupo.
A comissão foi criada para investigar fraudes nos descontos feitos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. No entanto, os deputados argumentam que o presidente da CPMI passou a ter interesse direto no resultado das investigações, já que os trabalhos começaram a envolver o próprio círculo político e religioso de Viana.
O pedido destaca o envolvimento de nomes como a Igreja Batista da Lagoinha, a Fundação Oásis, o pastor André Valadão, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel.
Segundo o documento, a situação de Viana se complicou após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino dar um prazo de cinco dias para que o senador explique o envio de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares justamente para a Fundação Oásis, que é apontada como o braço social da Lagoinha. Essa mesma igreja aparece nas investigações da CPMI sobre possíveis fraudes nos empréstimos do INSS.
O documento também cita ligações com Fabiano Zettel, ex-pastor da Lagoinha que atualmente está preso e que, no passado, teria depositado R$ 3 milhões diretamente na conta física do ex-presidente Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Para reforçar a denúncia de que Viana estaria agindo para proteger aliados, os deputados lembram que o senador defendeu publicamente Nikolas de acusações envolvendo Vorcaro. Além disso, Viana é acusado de manipular a contagem de votos durante a análise de um pedido para quebrar o sigilo do filho do presidente Lula (PT).
Reta final da Comissão
Os parlamentares do PT que assinam o documento — Pedro Uczai (SC), Rogério Correia (MG), Alencar Santana (SP), Paulo Pimenta (RS) e Lindbergh Farias (RJ) — alertam que a troca no comando é urgente. A CPMI está na reta final, com o relatório final e a discussão sobre a prorrogação dos trabalhos.
Os deputados afirmam que manter Carlos Viana na presidência coloca em risco a credibilidade e a legitimidade de toda a investigação. Por isso, eles pedem que o senador seja substituído imediatamente e que uma nova eleição seja feita para escolher um presidente neutro e independente para a comissão.
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Por Cassius Zeilmann e Nícolas Robert, da redação da Jovem Pan


