O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), depende politicamente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Lula, Tarcísio “vai fazer o que Bolsonaro quiser, até porque sem Bolsonaro ele não é nada”. O petista destacou a influência do ex-presidente, inelegível até 2030, sobre a “extrema direita”, mas avaliou que ainda é cedo para definir o cenário eleitoral de 2026. “É muito precipitado querer definir o jogo fora do estádio. Vamos entrar em campo e aí, sim, as coisas serão decididas”, disse.
Lula reafirmou durante a entrevista à rádio Itatiaia que poderá disputar a reeleição, caso esteja com “100% de saúde”. Caso contrário, afirmou que há “vários nomes dentro e fora do PT” que poderiam representar sua base política. O presidente também comentou sobre alianças e afirmou manter boa relação com o PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, que hoje compõe o governo de Tarcísio. “A minha relação com Kassab é muito boa, muito sólida”, disse, sem antecipar cenários de apoio.
A relação entre o presidente e o governador de São Paulo já teve momentos de aproximação. Em fevereiro de 2024, durante o lançamento da parceria para a construção do túnel Santos-Guarujá, os dois dividiram o palco em clima amistoso. Lula classificou o acordo como um “ato civilizatório” e disse que Tarcísio teria na Presidência “tudo aquilo que for necessário” para viabilizar a obra. Na ocasião, houve troca de sorrisos, abraços e até brincadeiras da plateia, que chegou a gritar “volta pro PT” para o governador, arrancando gargalhadas.
O tom colaborativo foi visto como um gesto político importante, já que a obra, prometida há mais de 90 anos, só saiu do papel graças ao entendimento entre União e estado. Poucos meses depois, porém, o ambiente cordial deu lugar a atritos sobre a condução do projeto e à disputa de protagonismo em outras áreas, como o combate ao crime organizado. Neste ano, especialmente, com a aproximação das eleições de 2026, há uma grande distância de lado a lado.
Além de Tarcísio, Lula mirou críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), a quem chamou de “figura caricata” e “falso humilde”. Ele defendeu que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), dispute o governo mineiro em 2026. “Ele será governador de Minas Gerais. Não tenho dúvida de que os adversários dele vão se desmanchar em pó”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula ainda defendeu a cassação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Para ele, o parlamentar “vai passar para a história como o maior traidor da pátria deste país”.
*Reportagem produzida com auxílio de IA