Lula afirma que avisou filho sobre INSS: ‘Se tiver algo, vai pagar o preço’

Presidente diz que não haverá interferência política nas investigações e defende Lewandowski no caso Banco Master

O presidente Lula (PT) afirmou, nesta quarta-feira (5), em entrevista ao UOL, que alertou seu filho sobre as consequências de um eventual envolvimento em irregularidades nas fraudes do INSS. O petista relatou ter tido uma conversa “olho no olho“, na qual deixou claro que a lei será aplicada a todos, sem exceções.

“Quando saiu o nome do meu filho, chamei ele para conversar, olhei para ele e disse: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa’”, declarou o presidente. Segundo Lula, a orientação do governo é  que “investigue quem precisa investigar”.

Lula também comentou sobre o escândalo envolvendo o INSS e a situação do Banco Master. Sobre o Instituto Nacional do Seguro Social, o presidente atribuiu a origem das fraudes à gestão de Bolsonaro, mas garantiu punição severa a qualquer integrante de seu atual governo que esteja envolvido. Ele também atrelou o caso ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, quando já havia um aumento desse tipo de descontos, apesar de o maior crescimento nos desvios ter acontecido durante o seu governo.

“A investigação do INSS acontece porque o governo descobriu através da AGU, CGU e PF que tinha sido montada uma quadrilha no governo Bolsonaro. Comecei a dizer para o pessoal que seria a primeira vez na história que o governo ia pedir uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)”, declarou. Segundo Lula, lideranças do PT e de outros partidos acharam melhor não encampar o discurso da CPI.

Em relação ao Banco Master, Lula confirmou a visita de Daniel Vorcaro e revelou que, durante a conversa com o banqueiro, o alertou “que não haverá interferência política, mas sim uma apuração técnica rigorosa por parte do Banco Central”. “Quem estiver metido nisso, pagará o preço da responsabilidade do rombo, talvez o maior da história deste país”, afirmou.

O presidente aproveitou para sair em defesa do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski. Ao ser questionado sobre um contrato do Banco Master que rendeu R$ 5 milhões ao escritório de Lewandowski, divulgado pelo portal Metrópoles, ele disse que o jurista deixou o contrato com o Banco Master quando foi convidado para o governo.

“O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu. E todo e qualquer bom jurista é contratado por qualquer empresa que esteja com qualquer dificuldade. E o Lewandowski tinha deixado a Suprema Corte, ele fez um contrato para trabalhar no banco. Quando eu o convidei para vir, ele saiu do banco. Sabe, não tem problema nenhum. Todo mundo trabalha para alguma empresa neste País”, declarou.

Lula continuou: “O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo neste negócio. Nós queremos saber porque o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Banco Master e o Banco de Brasília? Quem está envolvido”.

Indicação de Jorge Messias

Sobre a aprovação do Advogado-Geral da União Jorge Messias — indicado do presidente para vaga no Supremo Tribunal Federal – no Senado, Lula diz que está “confiante” em que o nome do AGU passe. “Eu não mandei o nome dele (Jorge Messias) ainda. Mas tenho confiança que passe. Vou conversar com o Alcolumbre, com os senadores…”, afirmou.

O presidente também fez um balanço sobre o clima político e econômico nacional. Para o petista, o país superou a instabilidade institucional recente e vive um momento de prosperidade e reconhecimento internacional. “O Brasil está pacificado”, garantiu Lula.

O petista afirmou que o Brasil voltou a crescer 3% ao ano sob seu comando e que pretende propor um debate com a Febraban na Faria Lima. “O Brasil está no ponto de tornar em um país de alto valor agregado, com novas indústrias, tecnologia, entrando na era de Inteligência Artificial e construindo datas centers.”, projetou.

Além disso, Lula disse que o país tem a “menor inflação da história do país, recebeu só em janeiro R$ 26 bilhões de investimento externo na Bolsa brasileira, é respeitado pela China e EUA…”, completou.

Lula também elogiou a atuação de Gabriel Galípolo no Banco Central: “Feliz é o país que tem um menino como o Galípolo na frente do BC”.

Relação com Trump

Nas relações itnernacionais, Lula confirmou uma viagem a Washington na primeira semana de março para um encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump. O objetivo é o pragmatismo diplomático entre as “duas maiores democracias do Ocidente”. O presidente brasileiro sinalizou cooperação no combate ao crime organizado, afirmando que “se Trump quiser combater o crime organizado, o Brasil está aqui”.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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